sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Estranhamentos

Vi o bebê manipulando o ipad, abrindo e fechando a mãozinha, correndo o dedo pra cima e pra baixo. Quando pega a revista que não responde às manipulações, ela se irrita. Muito engraçadinho. E revelador.

A dona da vídeo-locadora estava descrevendo a filha de 12 anos com as amigas. Elas se reúnem na casa dela, cada uma com sua mochila. Sentam à mesa, abrem a mochila e de lá retiram, cada uma, o seu laptop. Conectam-se e começam a conversar pelo msn...O cérebro deles deve funcionar diferente do nosso. 

Sabe aquela música, olhos nos olhos, quero ver o que você diz... Não vão entender nada... Quem é este v e l h o? - perguntam. Ri o Chico em desespero quando vê na internet os comentários sobre sua obra.

Elas vão à balada. Precisa beijar. Muitos ou muitas, não importa. No mínimo pegam sapinho. Por que?
Por que precisa beijar? E por que qualquer pessoa? Não era para ensinar a serem críticos?

E tem cada vez mais menina de 12 anos que já é mãe. Ou querem recuperar a infância que não tiveram, ou é o único papel que se vêem fazendo. Absoluta falta de perspectiva.

A mãe dá um tapa na bunda do filho de 4 anos, por conta de uma mal-criação. A criança pega o telefone e chama a polícia. Dali a 3 minutos, tem uma viatura na porta, a mãe fica pasma e chora. O que você faria?

A professora ensina que é preciso denunciar os abusos paternos para a polícia. Está certo, quem quer que as crianças sejam jogadas pela janela por madrastas doentes, quem quer que as crianças fiquem presas em porões, anos a fio, abusadas por pais enlouquecidos?  A criança aprende. O que a professora não ensina junto com isto? Por que as crianças só têm direitos?

Por que o povo só tem direitos? Direito a uma educação medíocre que não fala sobre deveres, sobre contrapartidas; direito aos "bolsa-família", que não vinculam a grana a nenhuma atitude concreta do cidadão em busca de sua autonomia. Tudo bem, os direitos que eram de alguns agora são de todos, sou mais do que a favor. Mas do jeito que está, o que afinal estamos ensinando às novas gerações? Que tipo de sociedade será esta?

Nas gerações antigas a coluna dos deveres era infindável, “criança não tem quereres, tem deveres”, eu escutava meu pai falar. E me revoltei na adolescência e junto comigo toda uma geração. Inventamos um outro jeito de ser. E olha o que a gente fez... Erramos a mão também?

Ou vai ver que temos de colocar tudo isto em perspectiva, numa dimensão temporal, entender como processo. Esta é uma fase que dará lugar algum dia àquela em que as pessoas terão seus direitos, cumprirão seus deveres e arcarão com a responsabilidade de suas escolhas. Bom, isto, se a educação melhorar, se cada um de nós responder por si. Nossa, dá um trabaaaalho! Sem dúvida não é tudo culpa deles, não.

Neste futuro almejado, a impunidade será coisa do passado, do tempo em que havia muitos buracos nas ruas das cidades, em que bastava chover pro trânsito emperrar e nem havia ipad, ipod, laptop, tablet, GPS, noção de sustentabilidade, telhado verde, responsabilidade social, ciclovias, reaproveitamento do lixo, controle da emissão de CO²,  e outras maravilhas com nomes esquisitos. Imagine! Como será que eles faziam?

Hoje me vi pensando quanta coisa vai se embora com a morte de alguém, quanta coisa aquela pessoa sabia que eu nunca vou ficar sabendo. Já pensou nisto? Lembro de, mocinha, sentar perto meu pai, que sempre foi velho pra mim, e ele querendo me mostrar coisas que eu não queria saber. 

É. Hoje o estilo foi diferente, cheio de julgamentos e queixas latentes. Não é o foco do meu blog mas foi o que veio. Tá bom, nada de rigidez, vez ou outra, vá lá.... Amanhã é outro dia.


imagens de onde? da internet, claro!

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